A Associação Brasileira de Engenharia Industrial (ABEMI) e o BNDES estão criando um grupo de trabalho para incentivar a exportação da engenharia brasileira. O presidente da ABEMI, Antonio Müller, contou que as empresas nacionais estão buscando alternativas em outros países, já que os grandes projetos no setor de óleo e gás daqui estão sendo concluídos, sem que haja perspectivas à altura do crescimento delas, que vinham investindo e contratando bastante nos últimos anos. Os focos principais são América do Sul, América Central e África, mas a linha de atuação do grupo ainda será definida. A ABEMI também está entregando dois documentos com propostas para os candidatos à presidência do Brasil, sendo um voltado à simplificação das leis trabalhistas e outro indicando diretrizes para o fortalecimento da engenharia industrial brasileira. Müller contou ainda que a ABEMI terá uma participação ativa na Rio Oil & Gas 2014, que acontece no Riocentro, entre os dias 15 e 18 de setembro, com a realização de um coquetel de homenagem às empresas que completam 60 anos. O Petronotícias fará a cobertura completa da conferência e a partir de hoje inicia uma série de publicações especiais sobre os preparativos para o evento, analisando a movimentação das empresas que chegarão ao Rio de Janeiro para a maior feira de petróleo e gás da América Latina.

Como está o mercado de construção e montagem atualmente no Brasil?

AE: As grandes obras estão terminando e não estão surgindo outras grandes para substituí-las. Então isso é uma preocupação nossa. É importante acertar o preço do combustível em relação ao mercado externo, para que a Petrobras tenha capacidade de investimento.

O que as empresas têm pleiteado?

AE: A preocupação delas é principalmente isso: ter novos projetos. Na área onshore principalmente. A engenharia cresceu muito e está precisando de mais carga.

Como está a previsão de investimentos por parte delas?

AE: As empresas investiram bastante e agora, nesse momento de aguardo de novos projetos, estão investindo mais em processos e treinamento. As empresas estão tentando investir muito na parte de produtividade. Até no nível de encarregado de obra.

Mas houve uma redução nos investimentos, certo?

AE: Houve uma redução, mas as empresas não param de investir. Houve uma redução porque elas estão aguardando novas obras. Para poderem investir mais, têm que ter receita.

A busca por serviços no exterior tem sido uma alternativa ao cenário de menos projetos no país?

AE: Sim. Inclusive a ABEMI criou um comitê de mercado externo. Nessa semana mesmo tivemos a presença de um diretor do BNDES numa reunião em que se falou sobre financiamento e procura de novos mercados no exterior. Agora estamos criando um grupo de trabalho BNDES-ABEMI, focado na exportação de serviços de engenharia de construção, montagem e suprimentos.

Como será a atuação do grupo?

AE: Ainda não foi definida. A reunião acabou de acontecer, mas foi muito positiva. Agora a ABEMI vai preparar uma sugestão de atuação desse grupo.

Quais são os melhores mercados no exterior para a engenharia brasileira?

AE: Países em desenvolvimento, como os da América do Sul, da América Central e da África, porque eles têm mais projetos e mais necessidades.

A ABEMI pretende levar propostas para os candidatos à presidência?

AE: Já entregamos aos candidatos do PSB e do PSDB, e agora vamos entregar à Dilma. Vamos entregar a todos os candidatos. São dois documentos, com muitas propostas importantes para o país. Um é voltado à simplificação das leis de trabalho e outro fala sobre diretrizes para uma política que fortaleça a engenharia industrial brasileira.

O que o país deve fazer para melhorar o cenário de engenharia no curto prazo?

AE: No caso de óleo e gás, aumentar o preço da gasolina e do diesel, para dar capacidade de investimento à Petrobras.

Como será a participação da ABEMI na Rio Oil & Gas 2014?

AE: A ABEMI vai ter um estande na área das associações, vai estar muito ativa, inclusive com a realização de um coquetel de homenagem às empresas que completam 60 anos.

Quais?

AE: A Petrobras e a Queiroz Galvão. Também vamos homenagear outras empresas fundadoras da ABEMI, porque ela completou 50 anos este ano. A homenagem vai incluir ainda empresas que têm 40 anos de ABEMI.

Quais as perspectivas com a feira?

AE: Acho que a feira está vindo num momento oportuno, para mostrar mais tecnologias que as empresas brasileiras podem usar. Uma das nossas bandeiras é a produtividade, que passa por processos, tecnologias e treinamento de pessoal. Então, esse contato com representantes do mercado internacional pode colaborar com essa busca.

Fonte: Petronoticias