No segmento da engenharia industrial, a queda de 2,1% nos investimentos apontada pelo resultado do Produto Interno Brasileiro (PIB) do primeiro trimestre deste ano, divulgado na semana passada, faz bastante sentido. Pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Engenharia Industrial (ABEMI) com seus associados sobre as expectativas para 2014, aponta que a maioria das empresas dos setores de Energia, Mineração, Óleo e Gás, Infraestrutura, Celulose e Petroquímica irão reduzir ou manter os investimentos previstos para este ano, na comparação com o ano passado.

“O setor está muito cauteloso, porque há poucos projetos de engenharia industrial em andamento, especialmente de engenharia de projetos, que é o elo de toda a cadeia. A falta de anúncios de novos projetos de infraestrutura, por exemplo, deixa o setor bastante apreensivo e derruba a confiança” , explicou o o presidente da associação, Antônio Müller.

Ele explica que é comum que no mesmo ano alguns segmentos apontem otimismo e outros, pessimismo. “A diferença é que neste ano o pessimismo é generalizado, o que aponta que dificilmente haverá mudança de rota no curto prazo”, afirma Müller. Prova disso é que, de seis segmentos pesquisados, em quatro deles o porcentual de redução de investimentos este ano é maior do que a projeção de novos projetos para o período.

Segundo a pesquisa, 69% das empresas de óleo e gás reduzirão os investimentos em 2014 na comparação com o ano passado, enquanto 31% pretendem mantê-los no mesmo patamar. Já no segmento de mineração e siderurgia, apenas 7% projetam investimento maior do que no ano passado, ao passo que 37% vão reduzir. A parcela dos que vão reduzir investimentos no segmento de química e petroquímica também é grande: 50%, enquanto apenas 6% pretendem ampliar e outros 25 % manterão no mesmo patamar de 2013.

O ponto fora da curva, segundo Müller, é o segmento de energia, onde 334% projetam um aumento de investimento para este ano, enquanto 38% pretendem manter no mesmo nível de 2013. “Mas ainda assim, o porcentual daqueles que vão reduzir investimentos é alto: 25%. do total entrevistado”, diz.

Outro fator que pode explicar a queda nas projeções de investimentos é que 61% das empresas acreditam que irão diminuir este ano o número de novos projetos em carteira. Esse porcentual representa um aumento de quase 20 pontos ante o ano passado, quando 43% tiveram redução.

Nem mesmo as concessões de rodovias que ocorreram em 2013 animaram o setor. O motivo, segundo Müller, é que existe um tempo de maturação até que os investimentos e as obras efetivamente comecem. “Mas seguramente esses projetos trarão um alento para o setor de construção, que será diretamente beneficiado”, diz.

Apesar de a pesquisa apontar que a maioria das empresas pretende reduzir investimentos e projetos novos em carteira este ano, o porcentual daquelas que pretendem diminuir o quadro de funcionários é menor do que foi no ano passado. Enquanto 42% das companhias reduziram as contratações no ano passado, 36% estimam fazer o mesmo agora.

De acordo com o presidente da ABEMI, um dos motivos para essa aparente incoerência é que as perspectivas são de melhora do cenário em 2015, sobretudo a partir do segundo semestre. “Todos os grandes empreendimentos apontam para 2015, tanto projetos de infraestrutura e logísticas quanto de plataformas de petróleo, por exemplo, o que deve trazer um novo ciclo de desenvolvimento ao setor e ao país”, diz Müller.

Müller comemorou o anúncio de que a desoneração da folha de pagamento será prementemente. “Esse é um passo importante para diminuir o custo-Brasil”, disse.

Fonte: Brasil Econômico