A busca pelo aumento da produtividade está no centro das preocupações de todos os setores industriais brasileiros e o segmento de óleo e gás vem dando alguns passos importantes para melhorar os índices nacionais. O Centro de Excelência em EPC, criado em 2008, elegeu o tema como um de seus principais focos e já criou três grupos de estudos voltados ao assunto. A presidente do CE-EPC, Renata Baruzzi, que também responde pela gerência executiva da área de Engenharia da Petrobras, reconhece que o trabalhador brasileiro ainda tem um nível produtivo abaixo do esperado, mas acredita que a maior parcela dos problemas está na gestão dos projetos. “Além de uma melhor qualificação dos gestores, é preciso dar uma importância maior ao planejamento. Hoje se faz muito sem planejar”, disse, durante o evento Produtividade em Ação 2014, organizado pelo CE-EPC. Renata contou que a parceria do Centro de Excelência com o Construction Industry Institute (CII) está permitindo trazer uma série de novas práticas ao país, ressaltando que a modularização (realização de algumas etapas do projeto em módulos) deve começar a ser utilizada em projetos onshore da Petrobrás. Ela destacou ainda a importância de criar no Brasil a cultura de compartilhamento entre as empresas de engenharia, como já acontece nos Estados Unidos, onde as companhias trocam experiências e soluções para problemas comuns, o que acelera o processo do avanço produtivo no país.

Ao que você atribui a baixa produtividade na engenharia brasileira?

Está muito relacionada à gestão dos projetos. Muita gente fala que é o trabalhador que é improdutivo. Pode ser um pouco, mas não é a grande parcela. A grande parcela é na gestão das obras.

Como solucionar isso?

É simples, basta planejar melhor, para realizar melhor. Na hora que se for fazer algum trabalho, o projeto tem que estar pronto, os equipamentos têm que estar disponíveis, e o profissional também. Se um desses faltar, você não consegue fazer. O que a gente está percebendo hoje é que o trabalhador chega para fazer, mas alguma dessas coisas está faltando. Ou está faltando o projeto, ou o material ou o equipamento, então ele não consegue produzir.

Falta qualificação para os gestores?

Além de uma melhor qualificação dos gestores, é preciso dar uma importância maior ao planejamento. Hoje se faz muito sem planejar.

Esse problema de gestão é comum lá fora ou acontece mais no Brasil?

O que eu tenho mais experiência é com os Estados Unidos e o que a gente vê é que eles têm uma longa história de estudo e aprimoramento. Aqui no Brasil a gente ficou parado um bom tempo, a década de 90 toda, e tivemos que retomar no ano 2000. Essa retomada está sendo mais lenta do que a gente imaginava.

O que o Centro de Excelência pode fazer a esse respeito?

Justamente trazer toda essa experiência do CII para cá, essas práticas, e ajudar as empresas a implantá-las aqui.

As empresas estão abertas a ampliar essa troca de informações e experiências?

No CII, quando nós vamos nos eventos, vemos cerca de 700 pessoas. Os grupos de pesquisa têm muita gente participando, mas aqui a gente ainda tem muita dificuldade de fazer com que as empresas participem.

As empresas têm dificuldade em admitir que têm problemas de gestão?

Não sei se é isso. Acho que é mais a cultura de compartilhamento e buscar soluções conjuntas, que já existe nos Estados Unidos, e que a gente ainda está construindo aqui.

O Centro de Excelência já criou muitos grupos de pesquisa em busca de aumentar a produtividade no país?

Hoje temos três. Um de métricas, um de lições aprendidas e o outro de construtibilidade.

Que tipos de solução o Centro de Excelência está trazendo em função da parceria com o CII?

Um destaque é a modularização nas obras. Além disso, a gente traz muito a questão da medição da produtividade, para eliminar os gargalos. Isso é uma metodologia do CII que a gente trouxe para cá. A metodologia também de lições aprendidas, que trouxemos para evitar a repetição de erros que já ocorreram, entre várias outras práticas que estamos trazendo.

A Petrobras já faz modularização no offshore?

No offshore faz. E estamos começando a fazer alguma coisa no Comperj. Nas últimas plantas que foram contratadas lá já estamos usando o conceito de modularização.

Existe alguma nova alternativa de modularização em estudo para os FPSOs?

Para os FPSOs não, porque já se usa o conceito de modularização na construção deles há muito tempo. Agora estamos querendo trazer para o onshore. Um problema é que temos muita restrição de transporte dos módulos. Questões de estrada e de como fazer chegar, mas não desconsideramos isso ainda na nossa estratégia.

Você sabe qual o percentual que poderia ser modularizado nas obras?

Não, ainda não fizemos esse estudo. Está muito no início. No offshore isso já está sacramentado, então todo o topside é modularizado.

Quais seriam os focos no onshore?

Seria para as refinarias, plantas de fertilizantes, energia, termelétricas…

O Comperj estaria servindo como uma espécie de laboratório para isso?

Conseguimos trazer essa estratégia para algumas unidades lá. Antes a gente foi conhecer algumas plantas fora do Brasil similares às que a gente ia construir aqui, e que usaram esse conceito já na fase de licitação.

 

Fonte: Petronoticias