Milton Paes

CAMPINAS

A Companhia de Gás de São Paulo (Comgás) tem divulgado a cogeração de energia a gás natural como uma alternativa à grave estiagem que vem atingindo o Estado de São Paulo e que põe em xeque a capacidade de eficiência do sistema nacional de geração de energia elétrica para suprir a demanda elevada, comum nos períodos de intenso calor e seca. A ação é defendida por técnicos da área como uma alternativa altamente viável para a indústria, comércio, condomínios residenciais, entre outros; na garantia de autossuficiência energética, principalmente nos momentos de crise de abastecimento.

A unidade de Mogi Guaçu, município da região administrativa de Campinas, da Ingredion do Brasil, a principal empresa fornecedora de ingredientes industriais e produtos derivados de milho e outros vegetais no País, é uma das que se valem da cogeração de energia a gás natural. Segundo a Ingredion, a cogeração tem se mostrado interessante por ser uma das alternativas energéticas mais eficientes, permitindo a geração simultânea de energia elétrica e térmica (vapor) dentro da própria unidade industrial, ambas utilizadas na produção.

Além disso, pela independência proporcionada pela cogeração, a Ingredion destaca que obteve, com o sistema, um melhor controle e previsibilidade de custos e de suprimento de energia. Esses fatores têm sido importantes para manter a competitividade da empresa, já que impactam em custos operacionais e na produção ininterrupta da fábrica. Outro ponto considerado pela Ingredion Brasil é o fato de a cogeração de energia reduzir significativamente a emissão de gás carbônico na atmosfera, quando comparada com a utilização do tradicional óleo combustível.

A Ingredion Incorporated é líder no mercado de ingredientes industriais de origem agrícola, com clientes em mais de 40 países. Seu portfólio atende cerca de 60 setores da indústria, entre eles os segmentos alimentício, de bebidas, farmacêutico e de higiene pessoal, entre outros. A unidade de Mogi Guaçu, instalada há 50 anos na cidade, é a segunda maior fábrica da Ingredion no mundo.

A cogeração de ciclo combinado de Mogi Guaçu entrou em operação em 2003, trazendo alta eficiência na geração de energia para a maior unidade da Ingredion no Brasil. O sistema de cogeração está instalado também na planta da empresa em Balsa Nova (PR), desde 2002.

A cogeração é uma forma de gerar calor e eletricidade, que pode ser feita por meio da queima de gás natural. Para entender esse sistema é preciso saber que todo gerador elétrico acionado por um motor que usa um combustível é chamado de gerador termelétrico. Por maior que seja a eficiência desse gerador, cerca de 70% da energia contida no combustível são transformados em calor e perdidos para o meio ambiente. Trata-se de limitação física que independe do tipo de combustível (diesel, gás natural, carvão, etc.) ou do tipo de motor (a explosão, turbina a gás ou a vapor).

“A cogeração, ao contrário, permite a produção simultânea de energia elétrica, térmica e de vapor, a partir do mesmo combustível: no caso, o gás natural. O calor que seria dissipado é recuperado dos gases de escape e produz vapor, ar quente e refrigeração, que podem ser utilizados nos processos industriais, gerando mais energia elétrica, por exemplo”, esclarece Sérgio Silva, diretor de marketing da Comgás.

A operação e manutenção do sistema podem ser terceirizados, ficando sob responsabilidade dos fabricantes de equipamentos. Também podem ser financiados e operados por Empresas de Serviço de Conservação de Energia (Esco).

O segmento de cogeração possui tarifa diferenciada frente outros segmentos, para se obter o direito da tarifa de cogeração o projeto deve ser Homologado junto a Aneel.

Veículo: Jornal DCI – São Paulo Seção: São Paulo Caderno: C Página: 3