SÃO PAULO – O mercado internacional de serviços de engenharia, construção e montagem movimenta R$ 510 bilhões por ano, sendo 17,8% dos serviços destinados para a América Latina e a África. Neste contexto, corporações do Brasil levam vantagem, pois o País aparece como o segundo que mais exporta serviços de engenharia, atrás apenas de empresas espanholas, de acordo com pesquisa da Associação Brasileira de Engenharia Industrial (ABEMI).

Para o diretor da entidade, Cristian Jaty Silva, o principal fator que aumenta a necessidade das empresas brasileiras procurarem mercados alternativos é a atual conjuntura econômica. “Nos últimos anos, as companhias de engenharia vêm sofrendo com a queda da demanda de projetos internos por conta do custo-brasil [Conjunto de dificuldades burocráticas que encarecem o investimento] que acaba impossibilitando a competitividade dentro do mercado doméstico e abre espaço para as empresas internacionais”, explica Silva.

Ainda segundo dados da pesquisa, 45% do faturamento das empresas de engenharia correspondem a ganhos com serviços externos. Ao contrário do Brasil, na América Latina e na África existe uma capacidade muito grande de projetos. Segundo a pesquisa, 94% dos serviços exportados são destinados para ambos continentes e juntos correspondem a 21% das exportações mundiais nessa área. “Temos muito espaço em países emergentes, pois a capacidade instalada do Brasil é alta. Temos a disposição mão de obra qualificada, equipamentos de alta tecnologia e experiência de mercado”, diz.
Para ele, além de proteger o capital da empresa, o sucesso internacional pode ajudar também na conquista do mercado doméstico. “A exportação não é apenas um novo negócio, mas um aumento na produtividade. Com a experiência que as empresas adquirem nessas atividades é possível dobrar a competitividade”.
Mercado para MPEs

Para incentivar micro e pequenas empresas, o BNDES e a ABEMI estão discutindo uma parceria para criar um grupo de trabalho que discuta formas de incentivar pequenas e médias empresas de engenharia, construção e montagem a exportar seus serviços. A associação já está produzindo uma agenda, onde irá propor pontos importantes que devem ser analisados para que esta ideia possa ser colocada em prática. “O maior desafio é planejar a forma de prospecção. Devemos achar mecanismos que permitam que empresas encontrem investimentos suficientes para criar uma base de representação. Mesmo que o retorno seja a longo prazo e duvidoso”, conclui Silva.

Fonte: Jornal DCI