Rafael Tomaz
Diário do Comércio

No segmento de óleo e gás, 69% dos empresários estimam redução nos aportes na comparação com 2013/DivulgaçãoO setor industrial brasileiro deverá “pisar no freio” e até mesmo reduzir seus investimentos em 2014, segundo levantamento feito pela Associação Brasileira de Engenharia Industrial (ABEMI). E entre os segmentos que deverão registrar retração em seus aportes está o de óleo e gás.

A entidade consultou seus associados sobre as perspectivas de investimentos nos setores de energia, mineração e siderurgia, óleo e gás, infraestrutura, papel e celulose e química e petroquímica. Em sua maioria, as empresas fizeram projeções de manutenção ou redução das inversões.

Para a atividade de óleo e gás, por exemplo, 69% dos consultados estimam redução nos investimentos neste ano na comparação com 2013. Já 31% esperam uma manutenção no volume de inversões.

Na avaliação do presidente da ABEMI, Antonio Müller, a perspectiva negativa é resultado da paralisação nos investimentos em refinarias no país. “Os grandes projetos estão sendo concluídos e não estão aparecendo outros novos”, explica.

Um dos fatores que podem contribuir para uma retomada nesses investimentos é dar à Petrobras a capacidade de realizar novos aportes. Para Müller, a companhia deveria ter liberdade para realizar os reajustes necessários nos preços da gasolina e do óleo diesel, tendo, desta forma, “robustez” para investir.

As perspectivas quanto aos investimentos do segmento de química e petroquímica também são negativas. Conforme o levantamento, 50% dos consultados esperam redução nos aportes neste ano e 25% preveem a manutenção. Apenas 6% dos associados apontaram aumento nas inversões em 2014.

Já para o setor de mineração e siderurgia apenas 7% dos entrevistados mantiveram perspectivas de aumento nos investimentos. Para a maior parte deles (46%) os dois segmentos deverão manter o volume de aportes realizado no ano passado. Outros 37% estimam redução nas inversões.

Por outro lado, as perspectivas quanto aos investimentos em infraestrutura são positivas, já que 32% dos empresários estão otimistas. De acordo com Müller, isto se deve aos investimentos para a Copa de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016, entre outros.

Contratos - No levantamento, realizado entre os dias 2 e 15 de maio, a ABEMI questionou também seus associados a respeito da perspectiva de novos contratos neste ano. Para 61% deverá haver uma retração no número de negócios em relação ao ano anterior.

Conforme o presidente da entidade, a retração é verificada desde o segundo semestre do ano passado. Em 2013, conforme o estudo, 41% dos consultados afirmaram que houve redução no volume de projetos em carteira.

Para Müller, a projeção do mercado em geral é que os investimentos no país sejam retomados somente no segundo semestre de 2015, uma vez que o início do ano que vem será marcado pelo começo de um novo mandato presidencial. Desta forma, deverá levar cerca de seis meses para que os investidores voltem a ter tranqüilidade para realizar novos aportes e os investimentos públicos voltam ao seu ritmo normal.