Antonio Müller, presidente da ABEMI, na abertura do Encontro

A ABEMI reuniu, em 6 de dezembro, em São Paulo, 80 representantes das empresas associadas para mais um Encontro de Competitividade. A quarta edição do evento propôs uma análise das perspectivas de investimentos para 2014-2016, apresentadas nas palestras dos economistas Gustavo Loyola (Tendências Consultoria), Gesner Oliveira (GO Associados) e Adriano Pires (CBIE – Centro Brasileiro de Infraestrutura), e a proposição pelos participantes de ações estratégicas para o período tendo como base os desafios identificados. De modo geral, a avaliação dos especialistas é que a conjuntura do período inspira cautela, já que é lenta ainda a recuperação da economia mundial e internamente há pouco espaço para endividamento do governo e para ampliação do consumo das famílias.

Em uma apresentação que repassou variáveis como inflação, PIB, câmbio, crédito e juros, o economista Gustavo Loyola explicitou suas principais preocupações sobre a economia brasileira. Segundo ele, a mudança nos ventos externos coincidiu com o esgotamento dos fatores que impulsionaram o crescimento do país nos últimos anos, o que explica em parte o fraco dinamismo que a economia vem apresentando. Ajustes na política macroeconômica são necessários no momento, mas apenas mudanças estruturais poderão criar um ambiente favorável aos negócios por aqui, disse. Sobre as políticas industriais, Loyola acredita que elas devem ser horizontais – ou seja, para todos os setores. E o sucesso destas, afirmou, passa pelas reformas trabalhista e tributária.

Loyola: país precisa de ajustes estruturais para alcançar o crescimento sustentado

O economista Gesner de Oliveira tratou de apresentar cenários para a economia mundial e a economia brasileira em 2014. No plano externo, a expectativa é de lenta recuperação nos países desenvolvidos e desaceleração dos emergentes. Já a conjuntura interna deve ser marcada por crescimento do PIB abaixo de 3% e de ampliação a níveis menores do consumo das famílias. Para o especialista, a grande oportunidade de melhor desempenho da economia brasileira está relacionada aos leilões de concessões privadas em infraestrutura.

Gesner de Olivera: aposta nas concessões privadas

As projeções para o setor de energia ficaram a cargo de Adriano Pires, do CBIE. Na visão do especialista, a diversidade de fontes de energia disponíveis no país é uma das grandes vantagens competitivas do Brasil, mas a inexistência nos anos recentes de uma política estratégica para o setor tem afetado esse diferencial. Nesse sentido, um dos desafios atuais é reverter a dependência externa de petróleo e derivados, o que não será fácil, dado que o aumento da produção esbarra no caixa apertado da Petrobras e nas incertezas que rondam o modelo de partilha. Considerando a importância da área energética, o palestrante aproveitou para elencar questões sobre o mercado de gás natural, energia elétrica e de biocombustíveis que ele acredita que deveriam ser discutidos com os candidatos à presidência em 2014.

Adriano Pires: falta planejamento estratégico para o setor de energia

As apresentações dos especialistas estão disponíveis para consulta no site da ABEMI. Clique neste link e faça o download para consultas futuras.

 Fonte: Newsletter ABEMI