Por Olivia Alonso | De São Paulo

Depois de se desfazer de seus negócios na área de serviços industriais, no ano passado, a empresa de serviços de engenharia Mills agora redesenha o tamanho de suas operações e reforça sobretudo a divisão Rental, de aluguel de máquinas e equipamentos. A empresa tem três divisões – Edificações, Infraestrutura e Rental – e vê o momento oportuno para ser mais agressiva em investimentos na locação.

Com projetos mais lentos de construção e infraestrutura, a área de Rental se torna a principal aposta da empresa para o curto prazo. Neste ano, a empresa vai investir R$ 169 milhões nessa divisão, o que corresponde por 73% do total dos aportes previstos, de R$ 231 milhões. O valor é 36% maior do que o do ano passado, quando o negócio de locação ficou com R$ 124 milhões, 42% dos aportes programados.

Segundo Alessandra Gadelha, diretora de Relações com Investidores, os recursos serão usados na abertura de novas unidades no país e na compra de equipamentos, que vêm dos Estados Unidos pois o Brasil não tem produção.

A previsão é terminar o ano com oito novas unidades da divisão, depois de ter inaugurado nove no ano passado. Com isso, seu negócio de aluguel de máquinas e equipamentos estará em 36 cidades ao fim deste ano, seis anos após sua criação, em 2008.

A companhia pretende, com a diversificação geográfica, capturar um mercado que acredita ser crescente no país. A frota brasileira deste tipo de máquinas e equipamentos para locação é de 29,5 mil unidades, muito abaixo das 800 mil dos EUA, por exemplo. O principal vetor do crescimento, acredita a Mills, será a demanda decorrente de duas novas normas de segurança no setor de construção civil, que exigem equipamentos específicos para trabalhos em altura.

A própria curva de maturação do negócio no país já permite esperar um crescimento, diz a executiva. “Apesar do cenário econômico, entendemos que temos baixa correlação com o PIB”, afirma. No médio prazo, porém, acredita que o avanço será mais contido e que o mercado brasileiro ficará mais pulverizado, com mais empresas atuantes. “Nosso objetivo de curto prazo é fazer crescer a área. Mas nossa meta não é manter ‘market share’, e sim rentabilidade”, afirma Alessandra. A companhia calcula ter 25% de participação no mercado atualmente. Apenas para comparação, nos EUA a maior empresa no setor tem apenas 12% do mercado.

Em 2012, o faturamento da divisão Rental foi de R$ 253 milhões, 28% do total da Mills, de R$ 879 milhões. Com a venda da divisão de Serviços Industriais – para a gestora de recursos Leblon, por R$ 102 milhões – a divisão Rental foi a que mais ganhou participação nas receitas, de 13 pontos percentuais, para 42% no balanço do terceiro trimestre do ano passado.

A saída dos negócios industriais, conta a diretora de RI, deixou a empresa mais enxuta para organizar seus planos de investimentos, além de ter elevado suas margens.

O número de funcionários da companhia caiu pela metade, para pouco mais de dois mil, e a margem consolidada subiu quase 10 pontos. Considerando o negócio industrial, seria de 39% no terceiro trimestre do ano passado. Sem incluí-lo, sobe para 48%, de acordo com a diretora.

Além dos investimentos previstos para Rental, a Mills pretende destinar R$ 25 milhões para a divisão de Edificações, que presta serviços de engenharia para construções residenciais e comerciais, e R$ 37 milhões para a de Infraestrutura, que atua em projetos de grande porte.

Em Infraestrutura, a empresa poderá elevar o valor ao longo do ano dependendo dos movimentos do mercado, diz Alessandra. A Mills espera um impulso em decorrência das concessões de rodovias e aeroportos realizadas no Brasil no ano passado. Nestes primeiros meses de 2014, a empresa está analisando os planos das concessionárias para verificar em quais obras poderá se envolver, diz a diretora. “No meio do ano teremos mais visibilidade sobre esses projetos.” Em 2012, a divisão teve receita de R$ 174 milhões, 20% do total da companhia.

No negócio de Edificações, as esperanças da Mills vêm dos lançamentos de prédios feitos no país no ano passado. Alessandra diz que as companhias do setor de construção civil aumentaram expressivamente os lançamentos em 2010, mas não conseguiram executar todos os planos. “A construção não acompanhou. As obras aconteceram ao longo de dois anos, até 2012. No ano passado, porém, voltamos a ver um crescimento de 18% sobre o ano anterior. Esses lançamentos podem representar oportunidades neste ano”, diz.

Fonte: Jornal Valor Econômico – São Paulo Seção: Empresas Caderno: B Página: 2