As entidades nacionais abaixo relacionadas, representativas de todos os setores da engenharia brasileira, irmanadas às da indústria, da agricultura, do comércio e do transpor- te, vêm externar seu irrestrito apoio ao movimento de combate à corrupção em curso, mal que vem corroendo os alicerces da república.

Entretanto, alertam a nação, e manifestam sua grande preocupação com o gravíssimo efeito colateral que já se observa, tal seja a crescente paralisação de obras de infraestrutura estratégicas para o país, o desemprego de profissionais capacitados, a desorganização da construção pesada, a fragilização de importantes empresas como a Petrobrás e a Eletronuclear. Essa situação tem reflexos perversos em toda a cadeia produtiva das indústrias de equipamentos e bens de capital e também em milhares de pequenos e médios fornecedores. Sobretudo, afeta a normal implementação de programas estratégicos para a Defesa Nacional e acarreta enorme retrocesso na geração de empregos para profissionais e trabalhadores de todos os níveis e profissões.

O Brasil é um País por construir. Não podemos prescindir da capacidade gerencial e do acervo tecnológico acumulado nos últimos 60 anos pelas empresas brasileiras de construção pesada, de montagens e de engenharia consultiva, sob pena de colocar a perder o patrimônio que diferencia a engenharia brasileira e a destaca em um mundo cada vez mais globalizado e competitivo.

A apuração de responsabilidades dos investigados pela Operação Lava Jato, respeita- do o devido processo legal, é saudável e necessária. Dela resultará o fortalecimento das nossas instituições democráticas e a melhoria das condições de governança das empresas e dos órgãos públicos. Há, entretanto, de se preservar as empresas, os projetos estratégicos, os empregos e o conhecimento técnico-científico, elementos indispensáveis à construção do Brasil.

Paralelamente, nada justifica a interrupção dos principais investimentos da Petrobrás em diversos Estados do País. Seus efeitos já se fazem sentir: fechamento de empresas e de vagas qualificadas de engenheiros, técnicos e demais trabalhadores e perda da capacidade de gerar conhecimento, repercutindo até nas universidades, além da desvalorização dos investimentos realizados e do desgaste e elevação subsequente do custo de obras paralisa- das, algumas em estágio final de construção.

É urgente resgatar a confiança e a credibilidade da engenharia, assim como o respeito à Petrobrás e aos seus profissionais, pois delas depende o desenvolvimento do país. Não podemos colocar em risco conquistas sedimentadas ao longo de décadas.

Diante deste quadro, esperamos, e cobramos, das autoridades constituídas as providências necessárias para que a engenharia possa continuar a desempenhar o seu principal papel, o de construir o Brasil.

Rio de Janeiro, 17 de agosto de 2015

Assinaram o documento: Agostinho Guerreiro (CE), Alexandre Wollmann (SENGE-RS), Ana Constantina Sarmento de Azevedo (CONFEA),
Antônio Ernesto Ferreira Müller (ABEMI), Benito Paret (TI-Rio), Camil Eid (IE-SP), Celso Ternes Leal (CREA-SC), César Prata (ABIMAQ), Clovis F. Nascimento Filho (FISENGE), Daniel de Oliveira Sobrinho (CE do Pará), Edison Tito Guimarães (ABRAVA/ACRJ), Fernando Martins P. Silva (CREA-RS), Flávio Correa de Souza (CREA-DF), Francis Bogossian (CE), Helder P. Carnielli (CREA-ES), Helil Cardozo (Prefeito de Itaboraí), Heloi José Moreira (CE), Jean Marcus Ribeiro (CREA-MG), João Borba Filho (SINICON), José Alberto Ribeiro (ANEOR), José R. Bernasconi (SINAENCO) e Instituto de Engenharia de São Paulo (IE-SP), José Tadeu da Silva (CONFEA), Juares Silveira Samaniego (CREA-MT), Luis Cesário da Silveira (ABIFER), Luiz Ary Romcy (CE do Ceará), Luiz Pinguelli Rosa (COPPE/UFRJ), Márcio Girão (FENAINFO), Marco Amigo (CREA-BA), Marcos Luciano Camoeiras G. Marques (CREA-RR), Murilo Celso de Campus Pinheiro (FNE), Nélio Alencar (CREA-RO), Nilo Ovídio Lima Passos (SEAERJ), Nizio Cabral (CREA-SP), Olavo Botelho Almeida (ABEE Nacional), Raymundo de Oliveira (CE), Renato Almeida (CE), Reynaldo Barros (CREA-RJ), Sandro Antonio da Cunha Souza (CEPI), Victor Frota Pinto (CREA-CE).