A Vanbras começou efetivamente as atividades no início deste ano, mas sua criação vem de uma parceria de longa data, formada entre a brasileira EBSE e a holandesa Frames, que atuam em projetos conjuntamente deste 2006. De lá para cá, as duas empresas vêm fechando contratos sucessivos com a Petrobrás para o fornecimento de equipamentos e skids para plataformas. Com a evolução do relacionamento delas e a motivação gerada com as regras de conteúdo local, surgiu a nova companhia, que já soma R$ 280 milhões na carteira de encomendas. O diretor superintendente da EBSE, Marcelo Bonilha, conta que o planejamento é consolidar a empresa no Brasil ao longo dos próximos três anos, para que ela possa fazer tanto a engenharia quanto a montagem de módulos para FPSOs.

Como começou a parceria da EBSE com a Frames?

Começamos a trabalhar juntos há sete anos, em 2006, no projeto de Mexilhão, vendendo separadores. Depois fizemos diversos projetos vendendo equipamentos e skids. Fornecemos para P-58, P-62, P-55, P-57, Cherne, Cidade de Ilha Bela, Cidade de Mangaratiba, Cidade de Itaguaí. Para todos eles atuamos em conjunto.

Como foi a decisão de criar a Vanbras?

Como tínhamos uma relação muito boa, resolvemos formar a Vanbras para poder explorar outras tecnologias da Frames na área de processos. Além disso, um dos objetivos era fazer uma empresa brasileira com a transferência de tecnologia.

Qual a estrutura atual da Vanbras?

Hoje ela opera nas instalações da EBSE, tem um representante de cada uma das empresas e uma equipe da Holanda que já é permanente aqui. Estamos formando a equipe final. A empresa está gerenciando um pacote da EBSE e da Frames. Ela vai subcontratar a EBSE para fabricar os equipamentos e a Frames para fazer a parte de tecnologia. A transferência de tecnologia deve ocorrer em três anos, como está previsto no acordo.

Quais os contratos em carteira?

Vendemos para o consórcio MGT (TKK e DM Construtora) – que ganhou um pacote dos replicantes. Nele tem a unidade de desumidificação de gás (GDU), que será fornecida pela Vanbras. Também fechamos um contrato com o consórcio formado pelas empresas Tomé e Ferrostal, para o fornecimento da unidade de tratamento de água. Somados, os contratos chegam a cerca de R$ 280 milhões.

Onde estão sendo feitos os equipamentos?

Uma parte está sendo feita no Brasil e outra, na Holanda. Os equipamentos maiores, como vasos e colunas, torres, estão sendo feitos aqui, mas algumas válvulas e alguns trocadores de calor estão sendo feitos na Europa.

Como vê esse mercado no Brasil?

Estou vendo que os investimentos no onshore diminuíram, mas no offshore estamos vislumbrando boas oportunidades, com as treze plataformas que ainda faltam a ser contratadas no plano da Petrobrás.

Como é o planejamento da Vanbras para os próximos anos?

Nosso objetivo final é a fabricação de módulos completos com tecnologia e engenharia já desenvolvida pela Vanbras, que seria uma coisa única no Brasil. Ainda não há no país uma empresa que faça tanto a engenharia quanto a construção do módulo.

Em quanto tempo planejam atingir esta meta?

Nesse caso, devemos chegar a isso em três anos. Precisamos antes consolidar a empresa no país, passando por todos os processos gerenciais necessários.

Fonte: Petronotícias